Pueril tentativa de tornar-se mais altivo. Mais lúcido. Mais livre. Sorveu aquela xícara de café amargo com as sobrancelhas curvadas em sinal de sacrifício. Com as pontas dos dedos úmidos, catou algumas pedrinhas de açúcar que brilhavam sobre o balcão de madeira e jogou-as ao chão, com displicência. Respirou fundo e sentiu as pálpebras assoladas por um peso não-habitual. Bocejou. Esfregou os olhos cansados e pediu a conta ao garçom. A televisão do bar comentava sobre a guerra. Os Estados Unidos talvez fossem intervir, como conciliadores do conflito. “– Para vender mais armas”. Comentou o garçom, quando lhe trazia um papel amassado sobre um pires de metal. Sem atentar para o valor ali estampado, Homero retirou umas moedas do bolso e despejou sobre o balcão. “– Está certo !” Sentenciou, enquanto se levantava. Ganhou a claridade da rua, sendo recepcionado por buzinas e motores de motocicletas, todas
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Gentileza
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Realizemo-nos
Antes que seja inútil, antes que seja tarde. Façamos logo algo, de uma vez por todas, porque esperar pela hora certa já é deixar de fazer. Vamos publicar todos os livros engavetados na poeira da nossa intimidade. Vamos publicar as fotos de paisagem daquilo que só nós vimos. Vamos subir nos palcos dos bares da cidade e cantar nossas desconhecidas canções. Vamos descer a grande onda do dia e encarar o horizonte como leões. E se levarmos uma chuva de tomates na cara ou a indiferença do silêncio uníssono ? Continuaremos felizes, meu caro, e mais lúcidos do que nunca.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Sonho de um sonho de Cranaval
"Sonho de um carnaval"
No carnaval,
esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança
sábado, 14 de junho de 2008
Mar profundo
Costumamos tentar enxergar tudo de longe, de cima, distante. Respiramos o máximo de idéias externas, que nos é permitido. Asfixiamo-nos. E para nos compreendermos tentamos nos ver de perto, fechamos os olhos e mergulhamos em nossas imagens internas. Afogamo-nos. É disso, que todos precisam, muito disto e pouco daquilo e, tempos depois, menos daquilo e muito mais daquele outro. Alternando água e terra. Altura e mergulho.
Mas se a alma quer folia, a cabeça pede alforria. E o corpo fica refém, entre a cruz e a caldeirinha. Como quem quer dançar tango, mas não tem um par. Ou como quem quer andar de bicicleta, mas tem medo de correr sem rodinhas. Como quem quer curtir o mar, mas não vence as ondas bravas da ressaca. Medo que nos castra, receio que nos mina. A coragem que nos cega seria a força que ilumina? Besta rima...
Os sentimentos se entrelaçam em novelos internos, mais viscosos que entranhas. Estranhas? E as idéias fervem na cabeça, mais coloridas do que os corais. Cérebros do fundo do mar. E na superfície flutuam docemente algas fluorescentes. Nos rostos tensos, singram plácidos sorrisos. Hora de levantar, do fundo do mar.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Letra de Música: "Absorva"
Composição: Felipe S. e Samuel
(Letra de música da banda pernambucana Mombojó)
Vai, me absorve, que hoje eu quero ser só seu
Me dissolve e mexe com a colher
O seu prato predileto é quando eu digo não.
Não quero mais ser só....
Não quero mais ser seu só...
Não quero mais....
Me absorva mais
(Me absolva,
Me abençoa
Me absorva...)
Seu sorriso é um paraíso
E no ar, vou em transe ao sol
Para me livrar de tanto mar
Resolvi espairecer, apareci sem avisar
Para não ser sempre
A mesma rotina de ilusões
Mesma
Rotina de ilusões
Me absorve, que hoje eu quero ser só seu
Não quero mais ser
seu só.
Me absorva mais, me absorva mais.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
HAIKAI
FIM DA TARDE SEM
O MAR OLHA
VAGA LUZ É SOL
SOME LÁ APARECE CÁ
LUME QUE VEM DE SI
terça-feira, 1 de abril de 2008
Tortas favelas parindo bailarinas
Flores amarelas nascendo do concreto
Criança de rua prefere arte à cocaína
Fetos saudáveis dentro de mães enfermas
Gestos confiáveis submersos em noite erma
Lixeiro humilde devolve pasta com um milhão
A água que chega para nutrir todo sertão
A moça grávida de vida
Agradece a tudo com comoção
É a senhora da ávida vida
Que nos sorri em contemplação.