Olho de peixe na planta do pé
Pé de galinha no canto do olho
A manga da blusa suja de molho
Molho de chaves num vão qualquer
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Dito pelo não ouvido
Dizem que o que se diz fica
eternizado
na mente de quem disse
da forma como ele mesmo ouviu
E
permanece guardado
no ouvido de quem
escutou
da forma como esse quer crer que tenha sido
dito
eternizado
na mente de quem disse
da forma como ele mesmo ouviu
E
permanece guardado
no ouvido de quem
escutou
da forma como esse quer crer que tenha sido
dito
quinta-feira, 14 de julho de 2011
C' a fé
Eu só preciso tomar um café
Ali na esquina
pra recuperar toda essa minha fé
adormecida
E depois tirar mais um cochilo
Pra irrigar a alma aqui no rio Nilo
tranqüilo.
Ouça
os belos poemas que o vento sussurra
Não tema
a verdade fria que ao amigo você urra
Sinta
o gosto de amargo na boca daquele que
você esmurra
Se o
cedo é doce*
assim eu me encontro
mais tarde,
se a mim desaponto,
reinvento a história,
vivo conto.
Cristiano Fogaça
(* Homenagem a P. Leminski que disse: “Tão doce, tão cedo, / tão já / tudo de novo vira começo”).
Ali na esquina
pra recuperar toda essa minha fé
adormecida
E depois tirar mais um cochilo
Pra irrigar a alma aqui no rio Nilo
tranqüilo.
Ouça
os belos poemas que o vento sussurra
Não tema
a verdade fria que ao amigo você urra
Sinta
o gosto de amargo na boca daquele que
você esmurra
Se o
cedo é doce*
assim eu me encontro
mais tarde,
se a mim desaponto,
reinvento a história,
vivo conto.
Cristiano Fogaça
(* Homenagem a P. Leminski que disse: “Tão doce, tão cedo, / tão já / tudo de novo vira começo”).
sexta-feira, 17 de junho de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Idadodia
É ida
a vida que segue sincera
e ninguém percebe que é bela
a luz da tarde que vai e não volta
anuncia que será pelo amanhã seguida
Façam as vezes
dos anfitriões de seus mundos
Inovadores ou reacionários
sem pensar nos louros alheios...
Mesmo se de quando em vez
vazam as vozes dos sonhos solitários,
sintam-se com os corações cheios
De alegria, de nostalgia
de infantil e incontida energia.
a vida que segue sincera
e ninguém percebe que é bela
a luz da tarde que vai e não volta
anuncia que será pelo amanhã seguida
Façam as vezes
dos anfitriões de seus mundos
Inovadores ou reacionários
sem pensar nos louros alheios...
Mesmo se de quando em vez
vazam as vozes dos sonhos solitários,
sintam-se com os corações cheios
De alegria, de nostalgia
de infantil e incontida energia.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
refreshing old things
mundo muda
meu mundo
mudo
eu
tremendo o mundo
é
um mundo tremendo
mando
ao mundo mudo meu
eu
meu mundo
mudo
eu
tremendo o mundo
é
um mundo tremendo
mando
ao mundo mudo meu
eu
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
A voz do subsolo
Havia um certa possibilidade de aquilo acontecer, mas malandro que se acha experiente, pensa positivo e acredita que com ele nada acontece e que, se acontecer, ele improvisa. Assim, tomou um banho gelado, vestiu um calção velho, matou uma garrafa de cerveja e deitou-se na cama. O calor colava seu corpo ao lençol. As janelas abertas deixavam as cortinas intactas. Depois de rolar para cada lado da cama, umas dez vezes, resolveu levantar-se. – Vou dar um rolê na rua. Calçou um chinelo, pegou uma camiseta e jogou sobre o ombro esquerdo, colocou um cigarro na orelha direita e guardou um isqueiro no bolso do calção. Bateu a porta.
Já na rua, sentiu um clima mais ameno e inspirou um forte perfume de “dama da noite”. Aquilo o acalmou um pouco. Começou a caminhar sem rumo, indo pela rua de sua casa até o final. Chegou naquela pracinha suja e acendeu um cigarro. Leve tontura. Fez de conta que a preocupação ia embora junto com a fumaça, se dissipando pela atmosfera. Um cachorro latiu ao longe. - Qual seria a chance do chefe do Almeida se lembrar que eu tinha dormido com sua ex-mulher, quando eles ainda eram casados? E qual a chance de o cara associar que o Almeida é pai do amigo do meu filho ? E qual a chance de o cara demitir o Almeida por causa disso? Praticamente nenhuma. Quase zero.
Uma gota de suor gelado escorreu pelo centro do peito de Jorge. Ele logo se distraiu com a mulher do vizinho que passeava com seu cachorro, do outro lado da praça. Estaria ela também com calor e resolveu espairecer? O cigarro acabou e ele arremessou a bituca para bem longe. A pequena fagulha cortou o breu e rolou para dentro de um bueiro. Respirou fundo, como se tomasse coragem, olhou para a mulher com o cachorro e voltou para sua casa, arrastando os chinelos pela rua silenciosa. Sentiu um vento frio, vestiu a camisa e bocejou.
Já na rua, sentiu um clima mais ameno e inspirou um forte perfume de “dama da noite”. Aquilo o acalmou um pouco. Começou a caminhar sem rumo, indo pela rua de sua casa até o final. Chegou naquela pracinha suja e acendeu um cigarro. Leve tontura. Fez de conta que a preocupação ia embora junto com a fumaça, se dissipando pela atmosfera. Um cachorro latiu ao longe. - Qual seria a chance do chefe do Almeida se lembrar que eu tinha dormido com sua ex-mulher, quando eles ainda eram casados? E qual a chance de o cara associar que o Almeida é pai do amigo do meu filho ? E qual a chance de o cara demitir o Almeida por causa disso? Praticamente nenhuma. Quase zero.
Uma gota de suor gelado escorreu pelo centro do peito de Jorge. Ele logo se distraiu com a mulher do vizinho que passeava com seu cachorro, do outro lado da praça. Estaria ela também com calor e resolveu espairecer? O cigarro acabou e ele arremessou a bituca para bem longe. A pequena fagulha cortou o breu e rolou para dentro de um bueiro. Respirou fundo, como se tomasse coragem, olhou para a mulher com o cachorro e voltou para sua casa, arrastando os chinelos pela rua silenciosa. Sentiu um vento frio, vestiu a camisa e bocejou.
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