sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Próximo

Ainda continuam a torturar calouros, a espancar torcidas adversárias e a mutilar estrangeiros mundo afora. Lembro da abjeta violência gratuita desenhada como a natureza mais grotesca do homem dito civilizado, na obra "Laranja Mecânica".

Será que a diferença assusta tanto o homem, a ponto de ele ver necessidade de subjugar o próximo, para sentir-se seguro? Ou será que impor o sofrimento ao outro, o torna mais forte?

Entre a indiferença e o ódio, pavimenta-se a via da intolerância humana. Digo humana, pois não acredito que os animais, que usam da força para poder se impor no meio em que vivem, agiriam com sarcasmo ou sadismo.

Como disse, certa vez, Martin Luther King:

"Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos".

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dilema sem Lema

vidas inocentes em segundos ardem
tragédia, rotina ou desgraça?
o círculo vicioso da retaliação...

o cessar fogo naquele pedaço de terra
utopia, piada ou milagre?
tentativas em eterna concretização

- Quem começou tudo isso? – pergunta-me o menino.

Os povos que matam por território
Ou o território que exclui os povos?
Dois povos ocupam o mesmo lugar no espaço
Ao mesmo tempo?

- Quem sabe um dia, você não me dá a resposta, filho?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lama posta

Nada foi posto na mesa de café

Nem café, nem xícara

Nem pão, nem migalha

Tudo foi imposto na vida de José

Tem carnê, tem cobrança

Tem multa e tem esperança

Afeito às frases feitas, assim ele é:

“O que não me mata, me fortalece”

Continua acreditando na vida

Fica cansado, mas jamais esmorece

Perde tudo, mas não abdica da fé

Mas agora, nem mais a mesa existe...

A lama engoliu toda sua residência

Tudo é escombro, morro abaixo, nada resiste

Pá na mão, tal qual Dom Quixote da Persistência

Diz ele, prometendo aos céus,

Abraçado à sua família:

“Poremos tudo de volta ao seu lugar,

Não perdemos nada, nós somos o lar”.

sábado, 29 de novembro de 2008

Espelhos dentro do espelho

- Conversa de elevador é sempre a mesma coisa, né?
- Quase sempre.
- Às vezes, as pessoas falam até sobre o próprio elevador.
- Eu sempre falo sobre o elevador.
- Falam sobre histórias de elevador. Por exemplo, de quando a porta fechou com tanta força, que quase amputou o braço de um advogado que tentou segurá-la.
- Acontece todo dia.
- Coisas do gênero.
- Vivo conversando sobre elevador dentro do elevador.
- Seria isso metalinguagem?
- Não sei. O que é isso?
- O que fazemos agora é. Duplamente.
- 8º andar, senhor!
- Até logo, Severino.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O amigo por trás das poesias

Para falar dele, uma poesia cairia melhor que uma prosa. Grande poeta, advogado brilhante, mas principalmente um companheiro. Pronto para ouvir, para dar uma risada de seu comentário bobo, mas sempre, sempre mesmo, com aquele olhar desconfiado, mostrando que você pode confiar nele, mas ele está de olho no mundo, para que ninguém possa passar a perna dele. Conheci ele como Cidão, não posso chamá-lo de Cristiano. Foi ficando mais sério e o Cristiano às vezes se sobrepõe ao Cidão. No entanto, o Cidão sempre aparece. Pode ser numa brincadeira mais infantil, numa jogada no meio do futebol(com seu tradicional pulinho), ou no meio de uma bebedeira. Fã de poesia concretista, para ele Arnaldo Antunes devia ser eleito presidente da Academia Brasileira de Letras. Conheci ele como um adolescente tímido, introvertido, louco por futebol e "muso" de uma certa garota, que o perseguiu durante anos. Eu mostrei a ele várias coisas e ele me ensinou diversas. Ajudava ele com matemática ele me ajudava nas redações. Mostrei a ele as baladas, o papo furado e como ser um pouco mais atirado com as menininhas. Ele me mostrou Chico Science e, mais do que tudo, a amizade. Até conhecer Cidão tinha conhecido a camaradagem, a parceria de vários anos, mas ao os conhecermos, pude descobrir o que era uma amizade. Para tudo: hora da tristeza, da alegria, balada, estudo, mulheres, namoros, solteirice, viagens... O cara foi se transformando. De repente, percebi que aquele adolescente tímido estava mais falante e galanteador que qualquer outro.Usando seus talentos poéticos para conquistar os corações apaixonados.Claro, isso foi até ele conhecer a Carla, futura senhora Fogaça.....Grande Cidão, mantenha a gente sempre inspirado pela sua poesia e nos mantenha sortudos por poder contar com sua amizade.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Onda Voraz

“O tempo todo o tempo passa” (*)

Semanas voam no meu calendário

Essa velha ansiedade nos ultrapassa

Dias começam derrubando ontens, sem fim

Não existe o momento, importa o horário

Antigamente não era assim


Parece que foi ontem


Que a gente estava lá


O presente sempre vem


E o futuro é quase já


Vejo saudade de mais tempo


Clamando em seu olhar


Sinto vontade do ar do relento


Um grito no vácuo, acordo a sonhar


O tormento da vida é ser sem estar





(*) o primeiro verso é do mestre Arnaldo Antunes

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Música sem músicos?

Uma música não pode ser legalmente resgitrada sem ter uma melodia original, minimamente distinta, de qualquer outra já registrada no mundo. Por definição, portanto, música não deve ser apenas uma combinação de ritmos, ou simples agrupamento de diferentes batidas eletrônicas ou samplers. Isso não é um purismo musical, ou conservadorismo cultural e, sim, simples distinção. Um DJ pode criar diversão, pode tocar e divertir milhares de pessoas e no entanto, não estará criando música. Ao se incluir batidas eletrônicas em músicas já compostas não se está criando música e sim, apenas trazendo novos elementos eletrônicos para uma música já criada. Música é uma arte demasiadamente complexa para que uma pessoa ou artista sem conhecimento muical(seja ele provemniente de estudos ou de dotação inicial) possa , nesse sentido, criar ou produzir. Música, essa arte tão importante para a cultura de povos, de grupos, como forma de comunicação tem um leis ou conhecimentos que a ligam não somente à fisíca, mas também à sensibilidade. Argumentam-se, portanto, que um DJ ou especialista em eletrônica,se sensível o bastante, pode criar música. Uma pessoa que não sabe criar melodias, não sabe e não pode criar música. Pode criar uma forma de arte. Essa pode forma de arte que se torna popular e cada vez mais agradável aos ouvintes (sejam eles músicos ou não) pode se tornar hegemônica e relegar à música feita por instrunmentistas e compositores à uma posição marginal, tal qual a musica clássica hoje. No entanto, se isso ocorrer, estaremos assistindo op surgimento e a consolidação de uma nova forma de arte e de diversão. Não é e não será música no final e muito provavelmente 'puristas ' e 'conservadores' e , talvez curiosos adoradores de música eletrônica, se juntarão em algum porão escuro para escutar algo chamado música feito por um estranho grupo chamado de músicos, que sabiam tocar instrumentos e não entendiam nada de samplers e scratches.