segunda-feira, 28 de maio de 2007

Datas especiais, Ritos e Celebrações

Há apenas algumas semanas passamos pelo Dia das Mães, próximo mês teremos o Dia dos Namorados, em agosto Dia dos Pais, depois Dia das Crianças, Natal, e claro os sempre festivos aniversários. Se você está marcando algo para esses dias não se esqueça que seus entes queridos ficarão chateados se você não comparecer às suas respectivas celebrações. Ah! Também não se esqueçam de levar um presentinho, que ninguém é de ferro. Celebrações e ritos fazem parte da história da humanidade. Os antigos já celebravam a lua cheia, o dia da colheita, o nascimento de alguma criança. A festa reunia toda a tribo e se festejava por dias e mais dias com muita comida e dança. O tempo passou e as datas comemorativas começaram a serem menos ligadas a natureza. O Natal, onde todos comemoram o nascimento de Cristo, é uma data que passou a ser celebrada desta maneira, tal qual conhecemos hoje, somente a partir do início do século XIX. A ascenção da burguesia na Europa Ocidental fez com que as famílias se reunissem em torno de uma mesa e se deliciassem com diversas iguarias. Com o tempo é claro a troca de presentes foi aparecendo, o Santa Klaus, o nosso Papai Noel, foi se tornando mais um mercador que um animador de festas. Epa! To falando mal do natal? Que pessoa sem coração. O Natal é o momento de se reunir com a família, trocar presentes, sermos bonzinhos, para podermos sermos um pouco diabinhos no ano-novo, dali a 6 dias. E se eu não sou cristão devo celebrar o Natal também? Claro, o Natal é a época perfeita para se reunir a família. Nos purificarmos um pouco. Darmos um abraço naquele familiar que não gostamos e desejarmos feliz natal e um próspero ano-novo. Mesmo que no resto do ano nunca mais falemos com estas pessoas. O Dia das Mães também. Só um desalmado passa o Dia das Mães longe da sua mãe. Mesmo que você tenha outro programa para esse dia, desmarque. Mesmo que você não faça outras coisas com sua mãe. Mesmo que ela só seja importante naquele dia , celebre, afinal, é o Dia das Mães. Uma pessoa que tenha uma relação harmoniosa com a respectiva mãe, que seja um filho presente, que seja companheiro, que esteja sempre ao lado dela, se não puder comparecer naquele dia e não trouxer um presentinho, é, sem sombra de dúvida, um filho desnaturado. Vivemos em um momento em que parecer vale mais que ser. A imagem é o mais importante. A imagem, a embalagem, o que aparece na televisão. Você ama sua namorada? Dê a ela um VIVO de presente. Você ama seu pai? compre um freezer nas CASAS BAHIA pra ele. Você ama seus filhos? no Dia das Crianças dê um Playstation pra ele. Se não o fizer, é uma pessoa desalmada. Que tal se em vez de dias criados pela associação comercial ou pela mídia começamos a celebrar os dias que são importantes para a gente. Naquele dia que você olhar sua mãe e resolver dar um passeio com ela, dar um abraço e ficar fazendo cafuné nela. Por que em vez de esperar pelo Dia dos Namorados não pegue sua namorada/seu namorado e vá fazer algo que nunca fizeram antes. Em qualquer dia. Hoje, daqui uma semana, dia 28 de setembro. Faça ela gozar várias vezes, depois olhe bem no fundo dos olhos dela e diga "Eu te amo". Se estiver passando por uma livraria e lembrar de um livro que ela gosta, compre e dê com todo carinho. No dia dos Namorados se tiver um jogo de futebol com os amigos, vá sem culpa. Esses dias foram criados pelos comerciantes. Somente pra aumentar as vendas. São dias especiais apenas porque aumentam as vendas pro comércio. Não se pode comercializar as relações humanas. se seus pais ou seus amigos, sua namorada ou seus filhos são importantes não espere o aniversário, dê um abraço e diga quanto eles são importantes hoje. No dia de alguma data especial vá fazer outra coisa. Não seja guiado pelo calendário criado pelas lojas comerciais. As relações entre duas pessoas têm que ser guiadas pelo sentimentos mútuos dessas duas pessoas e nada mais.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Poréns

Na vida, estamos sempre a driblar poréns

nosso pretérito é presente quase perfeito,

temos no coração algumas boas nuvens

e o azul do céu a vibrar no peito.

Gotas de chuva nos irrigam a face

parte da história, deixamos que o acaso trace,

buscando vida nas terras mais áridas

iluminamos lembranças, imagens tão válidas.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Eclipse

Um alguém sem ninguém

preso a amarras e correntes

respira como claustrofóbico

e enxerga somente o que lhe convém.

Nos milhares de ônibus lotados

Nas filas intermináveis dos bancos

Nos elevadores suspensos nas alturas

Nas pistas de dança, onde sufoca suas agruras,

invade-lhe incontinenti

um silêncio arrasador.

Pela manhã,

move-se como foguete

a amarga ambição é o seu doce ópio

e o medo de errar é sua infértil semente.

Sonha em ter alguém

E dizer a ela belas cafonices:

‘meu mel é também seu

no céu do seu peito estou eu’

porém veda seus sentimentos agudos,

por medo de ofuscar o império da razão.

E de tanto sentir que não sente o mundo

teme que o silêncio que aturde seu coração

anoiteça a graça das coisas num segundo

Um prosaico eclipse de vida.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Os Justiceiros de Hollywood

Logo no início do filme, o bem sucedido policial, que se encontra feliz, junto de sua bela família, composta por avós, tias, sobrinhos, linda mulher e o expressivo filho pequeno. Todos em torno de mesas de frutas, na ampla varanda de uma maravilhosa casa de praia. Algumas crianças brincam candidamente, com os pés descalços na areia alva. Os adultos bebem e conversam amenidades.

Quando menos se espera, homens de preto, carregando metralhadoras, granadas e pistolas de longo alcance, chegam numa caminhonete preta. Descem com a fome ávida e fria dos predadores. Sem anunciar a que vieram, adentram à casa e lançam tiros certeiros em um a um dos mais de trinta presentes, começando por uma distinta senhora septagenária, possivelmente mãe do “mocinho” e terminando, com o mórbido atropelamento da mulher e do filho do protagonista. Este, que resiste até o fim, é pego, espancado, metralhado e incendiado junto a um posto de gasolina, que explode, num show pirotécnico.

Todos mortos e destroçados. Não resta um.

Após assistir a essas cenas de pura carnificina, sangue e extermínio em massa até o mais inerme dos monges tibetanos sentiria, arrisco dizer, considerável revolta e até ódio dos “bandidos”.

Porém, como que feito de aço, o intrépido protagonista a tudo sobrevive e surge sadio e altivo de volta à cidade para vingar-se dos criminosos, ou, segundo ressalva do próprio personagem, para “impor uma punição, pois vingança é coisa contaminada por sentimentalismo...”.

Dito e feito, o protagonista derruba, um a um seus algozes, bem como parentes e filhos destes, com todos os requintes de crueldade que “tem direito”, com o apoio e a torcida de 90% dos telespectadores, que, imbuídos do ódio advindo da desgraça sofrida pelo “mocinho”, legitimam a matança, como se dissessem: “Isso mesmo, mate esses bandidos nojentos, eles merecem tudo de pior. Eu faria o mesmo !!”

Mas adiante, o protagonista, incutindo, ainda, mais a idéia de que pretende fazer justiça e não vingar-se, uma vez que a simples vingança não “apagaria as memórias tristes” que carrega, descobre-se um “Justiceiro”. Torna-se um super-herói obscuro, que por saber-se quase invencível enfrenta a todos, com o intuito de evitar o mal. Mas, como evitar o mal? Socorrendo as vítimas? Perguntariam os mais puritanos. Não, matando os “bandidos”, pois as vítimas já morreram. Ou, enfim, fazendo novas vítimas.

A certa altura, uma das personagens, tenta alertar o protagonista de que, se ele continuar nessa vida de matanças, pode acabar se tornando “um deles”. Mas, evidente, que àquela altura, já não há mais lado do bem ou do mal, ou seja, o “mocinho” já virou “bandido”, viciado ao ciclo de maldades a que adentrou vertiginosamente.

Esse ciclo de mortes e vinganças, que desnecessário lembrar fustiga a guerra no oriente médio a séculos, instiga a rivalidade entre coronéis nordestinos na briga entre famílias pela demarcação de terras, fomenta as cínicas intervenções dos EUA na “guerra contra o terror”, enfim, dita o ritmo dos desastres desde sempre. São atos de violência repetidos à exaustão, até perderem o sentido totalmente, a não ser, o de promover uma matança pior do que a que o inimigo lhe fez meses atrás.

E com esta guerra declarada do “mocinho” contra os bandidos, promovendo mortes das mais horríveis, sem qualquer finalidade a não ser “derrubar” todos que o fizeram sofrer, nosso protagonista do filme pensa estar próximo da Justiça. Habilidoso também com as palavras, nosso tétrico herói sabe que o motivo é o que menos interessa nessa matança, por isso, tenta mascarar sua vingança, como se estivesse a “fazer justiça”. E então muitos outros sofrerão a punição de sua Justiça, todos que o fizeram sofrer.

Talvez imbuído de idéias macabras como esta, um estudante sul-coreano residente em Virgínia, nos EUA, sufocado pelo preconceito dos colegas de faculdade, ofuscado pela beleza dos louros de olhos claros americanos, sentindo-se desprezado pela falta de popularidade, com as mulheres principalmente, percebendo-se excluído daquela sociedade, que ele julgava hipócrita e insensível; decidiu dar a essas pessoas a punição que “mereciam” por fazerem-no sofrer. “Não!”, diria ele, “também não era vingança, pois isso é coisa contaminada de sentimentalismo, mas apenas Justiça !”.

terça-feira, 17 de abril de 2007

O Cheiro do ralo

Assistam "O Cheiro do Ralo". No período pós-Central do Brasil, nosso cinema nacional parecia se focar em apenas dois temas. Ou o fime apresentava uma estética nordestina/retirante/vida severina em fimes como "Eu tu Eles", "O Auto da Compadecida", que foram seguidos por inúmeros filmes como "Casa de Areia" e outros mais, ou se focava na violência urbana. Antes e depois do estrondoso sucesso de "Cidade de Deus" tiveram demasiados filmes que retratavam ou glorificavam a violência urbana, o cotidiano violento e o submundo. A criminalidade urbana foi mostrada de todos os ângulos possíveis e imagináveis: de dentro e fora da cadeia, através do bandido e através do mocinho. Os filmes nacionais passaram a repetir a mesma fórmula que tinha dado certo em alguns filmes. Além é claro, dos horripilantes filmes no formato "novela em 2 horas" com atores globais e estórias romântico-cômicas. Os filmes brasileiros se tornaram enfadonhos. Começaram a perder de longe para o cinema argentino. Os filmes argentinos tinham temáticas mais universais e exploravam diferente possibilidades. Além de serem criativos, eram também muito bem feitos. "Nove rainhas", "Plata Quemada", "Clube da Lua" entre outros fizeram o cinema argentino se tornar mais interessante que o brasileiro. Porém tudo parece começar a mudar com "O Cheiro do Ralo". Uma produção simples, barata, porém extremamente bem-feita. Elenco e atuações primorosas. Um roteiro e uma direção extremamente bem feitos. Toques de comicidade, sarcasmo, crítica social e um realismo muito bem dosados. Passa da piada mais singela para uma reflexão sobre a alma humana sem descambar para o rídiculo. A capacidade de fazer piada com a escrotidão humana. Tomadas longas e piadas inteligentes e curtas. Mas principalmente uma temática universal com toques de brasilidade. Ou seja: think global, act locally. Finalmente após um tempo um filme brasileiro que merece ser visto Não percam. Aliás, "Cartola" também merece ser visto. Não tanto pela qualidade do documentário. O filme não é um primor. Mas vale o ingresso pela vida desse genial compositor. Talento como poucos dentro da música brasileira. Cartola cantando "O Mundo é um Moinho" para seu pai já vale o ingresso.

Doze Deuses

Nem o desígnio de doze deuses desastrados

terá o poder de desarmar

o desejo do nosso desnudo amar

Nem o desastre mais desordenado

Terá sucesso em nos desarticular

Ou, do nosso devaneio, nos desembriagar

Ninguém, nem o mais desumano dos diabos...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Vis-a-vis

Vontade é como o vento que
desnuda as mentes e após
anuvia os pensamentos
lhes sufoca a voz

É assim.

Vis
a vis
com você
é uma vista linda
que permeia seu umbigo.
Desse jeito, só você, aqui comigo
não nos atinge maldade...

Me mostre toda essa incontida verdade,

Deixe
entoar aberta
a palavra inserta
nessas nossas vozes caladas.
Basta ouvir a entonação certa
e nossas orlas repousam alinhavadas,

Depois,
como uma turista
perde-se e me inunda a vista
pena que seja menos vinda do que ida
em seus olhos, que são úmidas iscas
deixo-me ir e a vida nos lida.