segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pen(s)ar

Pensar demais traz penar

Apesar que, de menos também

Ser espontâneo é voar

Enquanto o crítico não vem.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Piropo espanhol

Tengo ojos que miran,
Pero no brillan,
No tengo a ti en mi radar

Tengo manos que tocan,
Pero no tiemblan,
No tengo a ti para acariciar

Tengo boca que habla,
Pero no canta,
No tengo a ti para recitar

Tengo una piel que siente,
Pero no arde,
No tengo a ti a me tocar

Tengo un corazón que bate,
Pero no acelera,
No tengo a ti a me conmover

Tengo el tiempo,
Pero que es el tiempo
Si el tiempo solo es tiempo,
Cuando a ti puedo esperar

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Marina morena, não pinte esse rosto

Quem não gosta de Marina Silva? Nascida pobre, nos rincões amazônicos, analafabeta até os quinze anos,pegou malária....Se formou em História, virou senadora, ministra e é uma espécie de pop star internacional dentro do movimento ambientalista. Bom, eu não gosto. Ignorante, retrógrada, conservadora e totalmente incapaz. Que a vê no lançamento de sua campanha deve tremer de medo ao imáginá-la debatendo as decisões do COPOM com o Henrique Meirelles. Ao ser confrontada com uma elevação do juros, ela vai defender a SUSTENTABILIDADE!!!!! Marina é pós -tudo...pós-lula, pós-industrial, pós-moderna...Fez parte do governo Lula, no primeiro e em parte do segundo mandato, mesmo discordando da política ambiental do governo. Em um lance de oportunismo eleitoral, saiu do PT para se candidatar pelo PV. Diz-se que Marina está acima da política, acima das críticas, acima da esquerda e da direita....Neste último, temos um acordo. Acredito que os conceitos de esquerda e direita estão ultrapassados. Prefiro os termos conservadores e progressistas. Claramente, Marina é a candidata mais conservadora entre os três candidatos. Não apenas conservadora, obscurantista. Acha que evolucionismo e criacionismo devem ser ensinados conjuntamente. Como se fossem teorias concorrentes e com a mesma capacidade de explicação. Algém precisa avisar a ela que, além dos fósseis e de outras evidências, toda a biologia molecular desenvolvida a partir da década de 1950 mostrou que a evolução é um fato assim como é um fato que a Terra é redonda. Contrária ao aborto (para ela, as mulheres não devem ter essa escolha). Acredita que as mulheres devem seguir praticando abortos clandestinos e morrendo por clínicas Brasil afora. Acha que os gays podem se relacionar, mas não podem casar. Ou seja, são cidadãos de segunda classe, privados de direitos que outros cidadãos possuem. Ex-católica, evangélica militante, pseudo-intelectual marxista..Será que Marina chamaria o diretor de Avatar para um eventual ministério? Marina morena, vc se pintou....

quinta-feira, 20 de maio de 2010

èramuS .vA / Av. Sumaré


Sob o sol ardente que racha
raízes explodem o asfalto
Mas só João percebe perplexo
que escorre sangue de borracha
dos braços que flutuam lá no alto...
laivos de seiva sobre os automóveis convexos*

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pedaço de Lua

Primeiro, a lua fina me olha
Assim de soslaio
Agora, a senhora suprema me sorri
Como a um lacaio
Sei que a tênue película de prata
em breve, me trará o frio de maio
e me sentirei em úmida mata

Mas se ela não tem crateras,
Nem dragão ou São Jorge
Será um pedaço que se desprendeu daquela?
Parece tão tímida, minguante...
Como se não soubesse as paixões que forje
Com sua luz azul apaziguante

sexta-feira, 19 de março de 2010

Arrebentação

Nadando entre ondas fortes
desvencilhando-se de enevoadas águas
respira rápidos e sufocados sopros
quando apóia-se a uma pedra, por sorte
só consegue fazer relaxar os pesados ombros
sem querer pensar em quase nada
tenta a qualquer custo recuperar o fôlego

a linha do horizonte estende-se na superfície rasa
o sol repousa como diamante sobre a espuma
as gaivotas esbanjam volúpia, batendo asas
e enquanto luta para deixar a densa bruma
o homem fatigado crê que nada mais o arrasa

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O anoitecer dos tamborins

Em tempos vazios
sombras caminham pela cidade torta
luzes, só de alguns isqueiros frenéticos
em janelas altas e mornas
mergulhamos em sonos herméticos
embalados pela avenida-aorta

os semáforos insistem num verde sem fim
nos céus, surge um trôpego Zeppelin

as garrafas brindam involuntárias,
nas mãos da garçonete solitária

enquanto cães latem, num debate cego
a cidade, ao longe, se desmonta
como um castelo de lego.